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O Portal
Histórico de Cairu
O Portal de Cairu foi desenvolvido, para lançar a cidade de Cairu da Bahia para o mundo, não só a cidade, como também as empresas do comércio e todos estabelecimentos comercias, serviços, todos os tipos de noticias, entretenimento, eventos locais e regionais, inaugurações, comemorações, shows, cinema, escolas, faculdades, Educação Ambiental, Desperdício Zero Bahia, cursos, seminários, enquete, saúde, ação social, problemática do aterro sanitário e da coleta seletiva da cidade, saneamento básico da cidade, problemática da água dos manguezais e da preservação do desmatamento floresta e manguezais e outros em gerais, classificados, saúde, educação e as ações da Prefeitura Municipal de Cairu e Câmara Municipal de Vereadores de Cairu e outras ações.
Histórico do Município de Cairu |
Apresentação do Município
Esse município insular é o próprio Arquipélago de Tinharé, composto por 36 ilhas localizadas num complexo estuarino, onde as ilhas principais são as de Cairu, Boipeba e Tinharé. Ao todo, existem três vilas (Galeão, Gamboa e Velha Gamboa), seis povoados (Morro de São Paulo, Canavieiras, São Sebastião, Torrinhas, Tapuias e Garapuá) e uma cidade – Cairu. O nome primitivo da ilha de Cairu era Aracajuru, “casa do sol” na linguagem indígena.
Cairu surgiu no século XVI, durante o povoamento da Capitania de Ilhéus. Era uma das mais importantes vilas da Colônia. A sede foi elevada à categoria de vila em 1610 e em 1938 à cidade. No século XVIII, era considerada a melhor e mais segura moradia da região, onde fixaram residência ouvidores e corregedores da Câmara de Ilhéus.
A sede está localizada na Ilha de Cairu e é dividida em cidade alta, onde a cidade nasceu, e cidade baixa. Na cidade alta existem alguns prédios com importância histórica, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1610) situada numa elevação olhando para o Convento de Cairu. Do alto descortina-se uma belíssima vista da região. As casas do entorno, baixas, formam um agradável conjunto. Não deixe de ver as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Dores, São José e São Miguel. São também muito bonitas as janelas conversadeiras da sacristia feitas de cantaria de arenito. Há ainda sobrados com dois pavimentos com sótão e, na entrada da cidade, o prédio da antiga prefeitura, possivelmente do final do século XVIII. Erguidos onde existia uma pequena ermida de invocação a Santo Antônio, estão a Igreja e o Convento de Santo Antônio cuja fachada, precedida de cruzeiro de pedra, está voltada para o braço de mar que separa as ilhas de Tinharé e Boipeba. Do lado esquerdo da Igreja de Santo Antônio ficam as ruínas da capela-mor da Ordem Terceira, que nunca chegou a ser concluída. O início da construção desse convento, construído pelos Capuchinhos, remonta a 1654 e um conjunto precioso de azulejaria portuguesa do tipo tapeçaria dos séculos XVII e XVIII existe até hoje. Dos mirantes existentes no primeiro andar descortina-se uma bela vista do mar e do campo.
No início do século XVII, os franciscanos que receberam, por doação, “a sesmaria das doze léguas de Camamu”, construíram em Cairu a Residência de São Francisco Xavier (Galeão – 1623) e a Igreja de Santo Inácio.
No início do século XVIII, a exploração das matas passa a rivalizar com a produção de farinha na região. Cairu era um tradicional fornecedor de farinha para a Capital. É interessante citar que durante três décadas Cairu contribuiu financeiramente para a reconstrução de Lisboa, arrasada por um grande terremoto em 1756. Data dessa época o surgimento de quilombos criados por negros fugitivos. Em 1870, o corte da madeira era tão intenso e gerava tantos lucros que o governo precisou criar a função de Juiz Corregedor das Matas para deter a exploração predatória descontrolada. Vinte anos mais tarde, dada à ineficácia dessa medida, a Coroa resolveu tombar o que restava das matas, para estancar a exploração de madeira nas ilhas.
A cidade de Cairu é dotada de boa infra-estrutura turística, com hotéis, pousadas, restaurantes e atracadouro para saídas de barcos fretadas para Valença, Boipeba (o percurso demora 40 minutos de lancha ou 2 horas de barco) e outros destinos do Canal de Taperoá. Orlada por manguezais, Cairu não possui boas praias para banho. O coco e a piaçava são os elementos básicos do artesanato que, juntamente com a religiosidade, a pesca e a construção naval, é um reflexo do passado vivenciado nessas ilhas. Destacam-se ainda as culturas de cravo-da-índia, pimenta-do-reino e guaraná.
Há cerca de 30 anos a ilha foi ligada ao continente por uma ponte. O folclore local mantém viva a lembrança da ascendência indígena, da escravidão, da presença militar, das lutas em defesa da nação, da saudade de Portugal, Espanha, Holanda e Angola. Permanecem muito vivas as representações dos congos, taeiras, dondoca, alardo, zambiapunga, chegança, bumba-meu-boi e barquinha cinza.
Antecedentes Históricos da Colonização
Os processos de ocupação humana e de colonização de nossas ilhas e suas beiradas não tiveram início com as esquadras portuguesas do século XVI, nem com as invasões que mais imediatamente a precederam, promovidas por grupos tupis. Na verdade, quando os guerreiros tupinambás invadiram os litorais desde a Baía de Todos os Santos, estes mesmos litorais já eram habitados há mais de dois milênios.
Não faltam testemunhos culturais como urnas funerárias e sambaquis deixados por aqueles agrupamentos humanos mais antigos, que se assentaram nas vizinhanças das praias, dos canais e dos rios. Quando do descobrimento, esta área estava ocupada pelos Tupinambás e, mais no interior, pelos Aimorés. Ambas as nações eram recém chegadas, provavelmente do Alto Xingu.
Dois séculos apenas separaram a ocupação indígena do esforço de colonização portuguesa. Os achados arqueológicos são significativos. A cidade de Cairu foi a maior concentração de índios, originalmente pacíficos, de todo o litoral brasileiro. Hoje, qualquer escavação leva ao encontro de cachimbos, vasos cerâmicos e machados de pedra.
Descoberta e Colonização
Descoberto o Brasil em 1500 e ocupados os portugueses com a rota comercial das Índias, estabeleceu-se um “vazio” de trinta anos sobre os quais são escassas as informações escritas a respeito da terra descoberta. Assim, os primeiros documentos sobre as terras que hoje compõem o nosso município datam da terceira década do século XVI. É quando em 24 de março de 1531, uma quinta-feira, como hoje, Pero Lopes de Souza escreve em seu Diário de Navegação:
“E ao pôr do sol vimos terra e conhecemos a boca do rio de Tinharé da banda do sul”. Com tal exclamação, o navegador Pero Lopes estava também informando que Tinharé já era, antes presença assinalada no horizonte dos navegadores e cartógrafos daquele tempo.
Menciono esses antecedentes históricos para uma breve reflexão sobre a formação histórica, econômica, cultural e social do nosso município.
Aprendemos com a História que as primeiras medidas de ocupação da terra descoberta por Cabral somente foram adotadas com a instauração do regime das Capitanias Hereditárias e é exatamente este o objeto daesquadra de Martim Afonso de Souza, da qual fazia parte o seu irmão Pero Lopes, que como vimos identificou as terras de Tinharé; aprendemos também com a Historia, que coube ao fidalgo português Jorge Figueiredo Correa, a Capitania dos Ilhéus, que incluía as terras que hoje compõem o município de Cairu. Todavia, quem efetivamente iniciou a ocupação da Capitania foi o castelhano Francisco Romero, que, enviado pelo donatário, partiu de Lisboa em 1535 e desembarcou ao norte da Ilha de Tinharé, junto ao morro logo batizado de São Paulo, lançando ali os fundamentos de uma das vilas mais antigas do Brasil. Romero desistiu de instalar no Morro de São Paulo a sede da capitania. Preferiu rumar em busca de outro sítio erguendo a Vila de São Jorge dos Ilhéus. Embora a povoação inicial do Morro de São Paulo não tenha prosperado como sede da Capitania, dois outros povoados começaram a se desenvolver nas ilhas vizinhas: o de Cairu e o de Boipeba..
As ilhas ofereciam uma relativa proteção, apesar de não estarem imunes às ofensivas dos índios. Desta forma, a Vila de Cairu era, nos primeiros anos do século XVII o mais importante núcleo de povoamento, determinando em 1610 a instalação da vila que já houvera sido criada desde 1565.
Domingos da Fonseca Saraiva foi, segundo historiadores, o fundador do povoado que se transformou na Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu e posteriormente na Cidade de Cairu, nossa sede municipal. Sua filha, dona Catarina de Góes, ergueu, por sua vez, a primeira moradia no alto do Morro de São Paulo. Tendo, também, ali mesmo, mandado edificar uma capela sob a invocação de NOSSA SENHORA DA LUZ, entre os anos de 1608 e 1616.
Naquela época a enseada do Morro de São Paulo se transformou numa espécie de zona franca. Já existiam na região engenhos e fazendas dedicadas ao cultivo da mandioca. As matas, também, eram exploradas para a extração de madeira de boa qualidade. Fato que só se tornou possível graças às sucessivas campanhas realizadas contra os índios aimorés.
Os franciscanos tiveram papel pioneiro como religiosos chegados ao Brasil (1500 / 1516). Foram os jesuítas, todavia, os primeiros europeus a travarem contato com os nossos ancestrais indígenas aqui em nossas ilhas. A catequese era sua principal missão e, assim, grande porção da Ilha de Boipeba lhe foi transferida em sesmaria pelo Governador Geral Mem de Sá. As ruínas do colégio instalado no povoado de São Sebastião, são testemunho da permanência e do esforço de proteger os índios da escravidão.
Já, quando do ataque dos holandeses à Bahia, os invasores buscaram a enseada de Tinharé para conseguir mantimentos. Ousadamente atacaram, durante suas incursões, as Vilas de Cairu e Camamu. As águas do Morro de São Paulo abrigaram os navios holandeses, antes da sua entrada na Baía de Todos os Santos, para conquistar a cidade do Salvador em 1624.
Os holandeses sabiam da importância da região. Utilizaram o Canal de Tinharé como abrigo e fonte de mantimentos quando intentaram a invasão da capital colonial. Logo depois, reconquistada pelos portugueses, a cidade de Salvador recorreu ao fornecimento de farinha das Vilas de Cairu e Boipeba para escapar da escassez de alimentos que afligia sua população.
Aquela mesma produção de farinha, então crescente, mais tarde, garantiria a construção e a guarnição do núcleo fortificado do Morro de São Paulo. Mais ainda, por volta de 1644, tal era a quantidade produzida, coube às ditas vilas a responsabilidade de garantir, gratuitamente, o abastecimento da Tropa Soteropolitana e das armadas que chegassem a seu porto.
Estes fatos definiram a integração econômica do Arquipélago de Tinharé, de forma permanente, à vida da capital colonial desde meados do século 16 (dezesseis). Só a retomada da luta contra os índios Gueréns (ramo dos Aimorés), interrompida antes por muito tempo, perturbaria o desenvolvimento desta região. Durante 35 (trinta e cinco) anos, desde 1651, do Rio de Contas ao Rio Jequiriça, os índios foram combatidos. Acontecimento que, todavia, não retirou do Morro de São Paulo a condição de zona franca.
Ainda naquela época, os navios de cabotagem, as embarcações procedentes de Portugal e Angola, piratas e aventureiros continuavam fazendo no norte da Ilha de Tinharé, seus negócios clandestinos, inclusive com o zimbo – pequena concha univalve que serviu de moeda no comércio de escravos do Atlântico Sul – ali encontrada. Antes de seguirem para Salvador vendiam toda sorte de artigos das cargas que transportavam. A farinha, por sua vez, era assim, enviada ilegalmente para outras capitanias. O comércio ilícito só começa a ser combatido timidamente em 1661. Assim, as lutas contra os índios e o contrabando continuavam a enfraquecer a região. O cultivo da mandioca, apesar disto, como alternativa econômica, resistia.
A produção da farinha era tão importante que, ainda em 1673, o Governo Colonial proibiu a plantação de canaviais aqui nas ilhas e a construção de engenhos na região. Só desta maneira a mão-de-obra não seria desviada para outras atividades além da produção de alimentos como a farinha e o arroz.
A evolução econômica, contudo, torna a produção de madeiras importante para a capital colonial. Condição que permite, no início do século 18 (dezoito), o surgimento de uma alternativa à monocultura da mandioca na região. A exploração das matas, imediatamente, passa a rivalizar com a produção de farinha.
As novas perspectivas econômicas da exploração das árvores nativas não diminuíam as dificuldades geradas pelos ataques indígenas. As campanhas violentas contra os Gueréns continuavam. Fato que era agravado, nesta fase, pelo surgimento de Quilombos criados por negros fugidos que saqueavam as fazendas. Ameaças que tinham que ser exterminadas para garantir o desenvolvimento da colonização.
As campanhas punitivas persistem até 1722 já no governo do Conde de Sabugosa. Governante que concluiria, por exemplo, a maioria das construções do complexo militar da Fortaleza do Morro de São Paulo. Assim, o avanço das expedições militares minimizaria os ataques indígenas e permitiriam, logo depois, a exploração das minas de ouro dos sertões. Garantiriam, também, a segurança dos celeiros de Cairu e Boipeba do qual a capital dependia.
Quando a produção de ouro começa a fluir, a região passa a interessar à Coroa pelas possibilidades de acesso ao interior. Mais uma vez os vales dos rios Jequiriça e de Contas são os centros das atenções locais. O Morro de São Paulo, então, com a presença das autoridades coloniais, é transformado em local de negócios lícitos. Sua enseada e a fortaleza passam a ser conhecidas pela importância estratégica para a Fazenda Real.
Os Gueréns, em 1730, voltam a atacar. Desta feita, principalmente, na área de Cairu. O fornecimento gratuito de farinha para as tropas é definitivamente suspenso. O Governo Colonial reconhece, assim, a difícil situação e a decadência imposta aos habitantes da região. A população das vilas declina em face da aflição provocada pelos conflitos indígenas. Estes, por sua vez, permitem o crescimento das Vilas de Camamu e Maraú que não estavam sob a influência dos conflitos.
A Coroa continuava, a despeito das adversidades, investindo na região. Agora por força do corte da madeira e das minas de ouro. Estradas foram abertas, no período de 1779 a 1783, ligando o litoral ao sertão. A descida de boiadas foi, portanto, viabilizada para reforçar a alimentação local, restrita aos mariscos e peixes. A produção de arroz, café e cacau, também, foi estimulada. A fiscalização e controle da produção de madeira, também, foi alvo de providências administrativas.
Um Juiz Conservador é, em 1779, nomeado para impedir a devastação das fontes de madeira. Sua autoridade foi, independente dos limites das capitanias, estendida do Rio de Contas ao Rio Jequiriçá. Em 1779 o corte de madeira era tão intenso e gerava tantos lucros que o governo colonial criaria a função de Juiz Conservador das Matas, para impedir a devastação das fontes de madeira. Vinte anos depois, dada à exploração predatória e de pouco controle, a Coroa resolve tombar o que restava das matas estancando a exploração da madeira nas ilhas. Esta medida foi apropriadamente defendida por Baltazar da Silva Lisboa.
As Vilas de Cairu e Boipeba mergulham na exaustão e decadência. Já em 1811, a “Velha Boipeba” perderia acondição de Vila em proveito do núcleo continental que daria origem a atual cidade de Nilo Peçanha (Nova Boipeba). Neste mesmo ano, por exemplo, a Fortaleza do Morro de São Paulo, menos de um século após sua conclusão, chegaria a experimentar, pela primeira vez, um longo período de abandono e a ruína. A decadência econômica vem deste período. Cairu passa a produzir arroz, feijão e farinha para exportação. Boipeba fica reduzida a poucos e pobres moradores perdendo sua condição de vila. Já, em 1811, a Fortaleza do Morro de São Paulo estava em ruínas.
Cairu, mesmo debilitada economicamente, durante a Guerra de Independência, contribuiu para a libertação da Bahia. Suas águas e a Fortaleza do Morro de São Paulo abrigaram a semente da Marinha Imperial. Primeira armada que estava em formação sob o comando do Lorde Cochrane. Talvez esta tenha sido a última participação de relevância desta comunidade banto-ameríndia na História Nacional. Caiu em dormência desde então. Cabe à geração presente resgatar o seu passado que é marcante na memória não somente de Cairu, mas da própria Nação Brasileira.
Da Colonização ao Século XXI
Escrevendo às autoridades de Lisboa em 1642, o Padre Antonio Vieira, talvez sem saber, já tratava da história econômica do nosso município, precisamente das Vilas de Boipeba e Cairu. São suas palavras:
"Quanto aos mantimentos, sabida coisa é, que os de que se sustenta a Bahia, nunca jamais vieram de Sergipe, senão das Vilas de Cairu, Boipeba e Camamu, que ficam quinze até vinte léguas para a parte sul, e mais de oitenta de Sergipe."
De que mantimentos escrevia Vieira, dos quais estas nossas ilhas abasteciam a capital da colônia?
- alava e escrevia das farinhas e beijus; falava e escrevia do milho, do arroz e dos cocos; das bananas, das mangas e melancias, das abóboras e dos abacaxis; falava das batatas e dos inhames, do peixe seco e salgado, dos espetos de camarão e de peixe miúdo; falava do azeite de dendê!
Três imagens permanecem muito claras nas nossas lembranças mais distantes aqui de Cairu. A primeira é a do grande número de homens ocupados nos negócios da madeira e da piaçava. Além das serras movidas a braços humanos e das serrarias com motores diesel depois, a memória alcança muitos homens lavrando a madeira com os seus machados, suas enxós e formões; fabricando peças - caibros, ripas e ripões, com os quais carregavam as embarcações no rumo de Salvador e do Recôncavo. Embarcações que aqui mesmo eram construídas e reformadas em toscos e animados estaleiros.
A segunda imagem é a da fartura da pesca; do caranguejo, do siri e de tantos mariscos, dos quais se enchiam canoas com grande facilidade - um homem com meia dúzia de cantos e camboinhas pegava diariamente tamanha quantidade de siris, a ponto de passar uma manhã inteira para engrazá-los em cordas. Outros , com os seus tapa esteiras, pescavam sempre cardumes inteiros de carapebas, carapicuns, robalos e tainhas; outros ainda, com as suas grozeiras e paruzeiras, traziam grande quantidade de bagres, corvinas, meros, sauaras e parus. Mas o tempo dos arrastões já se prenunciava com os calões procedentes de Valença e Taperoá.
A outra imagem, guardamos das ruas de Cairu. Tínhamos o ano inteiro grande oferta de gêneros, desde os mais comuns como as bananas, abóboras, batatas e melancias, até o arroz, o feijão, o milho, as farinhas e os animais de criação, todos produzidos nas fazendas daqui mesmo do interior da Ilha de Cairu: fazendas Rio do Amaro, Ilha do Barro, Fazenda Subauma, Fazenda Pai Inácio. Tudo a confirmar os escritos de Vieira às autoridades portuguesas há quase quatro séculos. E mais: na cozinha daquele tempo, o azeite de coco (coco grande e coco de piaçava) foi o precursor do óleo de soja. Na verdade, davam-se três aplicações distintas ao coco de piaçava: de sua primeira casca tirava-se o satim - uma massa que se transforma em farinha e esta, em bolos e mingaus; da amêndoa, o azeite para a cozinha, a lamparina e até para amaciar os cabelos; finalmente, as cascas do coco eram usadas para alimentar o fogão e ferver as panelas de barro, até com vantagem sobre a lenha ou carvão vegetal, dada a superioridade do seu poder calorífico.Volto ao Padre Vieira para perguntar:
– E hoje, de tudo quanto consumimos, o que é que produzimos? Os fazendeiros deixaram de plantar? Ou temos um problema de escala de produção?
Antes, íamos a Valença buscar serviços médicos, odontológicos e jurídicos. Hoje, não trazemos de Valença apenas eletrodomésticos, calçados, roupas e remédios, além daqueles serviços especializados. Já de muitos anos, vamos a Valença comprar os gêneros mais simples como a farinha de mandioca, as frutas e o tempero da moqueca; é verdade, vamos a Valença buscar a pimenta, o limão e o azeite, como também vamos a Valença para consertar o fogão e a geladeira e até para cortar o cabelo e jogar na loteria. A resposta dá-nos a dimensão de quanto regredimos desde o tempo em que o grande jesuíta e homem de Estado escreveu o seu relatório às autoridades de Lisboa, pois vive-se em Cairu e suas ilhas, em absoluta dependência das coisas de fora. Trata-se de persistente processo de esvaziamento do nosso comércio e de toda a atividade econômica; um processo de transferência de nossa renda e de realimentação da pobreza.
Os proprietários rurais estão todos convidados a discutirem com a Prefeitura, uma solução para essa questão, porque é necessário que percebam as oportunidades para integrarem suas fazendas à produção associada ao turismo que vai se desenvolver muito mais aqui nas nossas ilhas e, consequentemente, demandar produtos de qualidade. A produção orgânica de frutas e hortaliças é uma oportunidade!
Há trezentos e sessenta anos, Cairu e Boipeba, juntos com Camamu abasteciam a capital da colônia. Hoje Cairu e Boipeba, nem de pescado, se abastecem a si próprios. A consciência e meditação dessas realidades não nos desanimem, mas antes nos convoquem ao desafio de sua transformação.
Centro Histórico da Cidade de Cairu

Descrição:
Geográfica, histórica, sócio- econômica e Urbanística.A cidade de Cairu está situada na ilha do mesmo nome, uma das três grandes ilhas que formam o arquipélago de Tinharé e o município de Cairu. O nome primitivo da ilha era Aracajuru, que significa, na língua indígena, “casa do sol” , segundo Jaboatão. Sua orla marítima é, integralmente, ornada de mangues, mas restam manchas da Mata Atlântica na Ilha. Seu clima é super úmido, com sub-seca, temperatura média de 25, 3° C e precipitação anual de 1800 mm. Cairu dista da capital 87Km, em linha reta, e 305,7 Km por rodovia ( BA-001 e BR-101) (1). O município possui 433 Km2 de extensão e o seguintes distritos: Cairu ( sede ), Galeão, Gamboa e Velha Boipeba ( 2). Seus solos são do tipo arenoquartzosos profundos distróficos.
A povoação de Cairu surgiu ainda no século XVI, durante o desbravamento da capitania dos Ilhéus, à qual pertencia. Um dos primeiros povoadores foi Domingos da Fonseca Saraiva, casado com D. Antônio de Pádua de Góes, que construiu um engenho e a capela ( 1610 ) que viria a ser a matriz, além de outra, dedicada a Stº Antônio ( 3 ). A criação das vilas de Cairu, Boipeba e Camamu foi ordenada, em 1565, pelo segundo donatário da Capitania, Lucas Giraldes ao seu procurador, Baltazar Ferreira Gaivoto, que, por sua vez, delegou a João d’ Andrade a fundação das mesmas ( 4 ). Com as guerras dos Aimorés, deflagrada na mesma época, tais fundações, não se efetivaram, embora Cairu se transformasse em um núcleo de resistência ( 5 ). Só após as lutas, foi criada, entre 1606 e 1608, a freguesia, pelo bispo Constantino Barradas, e efetivada a ereção da vila, em 1608 ou 1610, segundo diferentes autores ( 4 ). Durante o século XVII a ilha transformou-se em um importante centro de produção de farinha e madeira, mas possuía, também, engenho de açúcar. Os Holandeses, durante sua permanência no Nordeste ( 1630-1654), bordejaram o arquipélago em vários ocasiões, em busca de víveres. Em 1635, novos colonos chegaram a Cairu, fugindo dos ataques da esquadra holandesa de Lichthardt ao porto de Ilhéus, dentre os quais estava os descendentes do donatário da capitania ( 1 ). Em 1644 o Gov. Antônio Teles da Silva obrigou os moradores do arquipélago a abastecerem de farinha as tropas de Salvador. Vinte e nove anos mais tarde, seu colega Afonso Furtado proibiu que se plantasse ou se construísse engenho nas mesmas, para não prejudicar a produção de farinha ( 6 ). Passo decisivos para o desenvolvimento da vila foi a instalação do convento franciscano de Stº Antônio, em 1654. Os jesuítas também ali estiveram, pois um recrutamento geral de índios, datados de 1720, assinala Cairu entre outras aldeias jesuíticas, como Serinhaém, Camamu e Maraú. Em catálogos posteriores de compainha de Jesus, já não aparece Cairu ( 7 ). A parti de meados do Séc. XVII e durante uma centúria, a Capitania de Ilhéus enfrentou os ataques dos índios Guerens, que prejudicavam, entre outras coisas, o corte de madeira no arquipélago. De Cairu se desmembrou, em 1799, o município de Valença. Durantes as lutas da Independência, Cairu, Camamu e Valença estiveram ao lado de Cachoeira e Maragogipe, contra os portugueses. A unidade político-administrativo da Capitania de Ilhéus foi rompida, 1833, com a criação de duas comarcas: a de Valença, da qual fazia parte Cairu, e a de Ilhéus ( 4 ). Cairu foi elevada a cidade em 30/III/1938, pelo Decreto- Lei estadual nº 10.724.
Tradicional fornecedora de farinha para a Capital, desde o séc. XVII, Cairu acrescentou a mandioca às culturas de cana-de-açúcar e de arroz, a parti de meados do século seguinte. Paras a reconstrução de Lisboa, após o terremoto de 1756, Cairu foi obrigada a contribuir com 166$000 anuais, durante três década ( 4 ). Através de correspondência enviada ao Governador, em 8/VIII/1783, o Ouvidor Nunes da Costa comunica que havia promovidos as cultura de cacau e do café nas ilhas ( 4 ). Ao logo destas culturas, a extração de madeira foi, até ao inicio do século XIX, uma das mais importantes atividade econômicas de Cairu. Em 1779, Silva Lisboa, que era juiz conservador das matas, clamava, insistentemente, contra a sua devastação ( 6 ). Em 1887, a economia local baseava-se na atividade extrativa da madeira a da piaçava; nas lavouras de mandioca, café, cacau, arroz, cana, milho e frutas; na pesca na pequena criação de gado ( 8 ). A freguesia de N. Sra. Do Rosário de Cairu possuía, em 1759, 2.102 habitantes e 322 fogos ( casas ) ( 9 ). Em 1890, foi feito um recenseamento que revelou uma população de 3.527 habitantes ( 4 ). Pelo último censo, o município possuí 2.609 habitantes e a cidade, 1.566 ( 10 ). A decadência de Cairu se inicia ainda no século XVIII, em benefício de Camamu, que assumiu a liderança econômica da região ( 6 ). Para isto muito contribui sua economia, predominantemente extrativa, e seu isolamento como ilha. Há cerca de 20 anos, foi ligada ao continente por uma ponte, mas essa ligação não conseguiu romper a estagnação em que mergulhou a cidade, há dois séculos. A expansão de cultura como o cravo-da-índia, pimenta-do-reino e guaraná, além da conclusão da BA-001, trecho Valença – Nazaré, poderão trazer novo alento a região.A povoação nasceu na cumeada de uma pequena elevação, próxima ao porto, por onde escoava a produção regional de farinha de mandioca e madeira, destinada à Capital. A cidade é tipologicamente simples, mononuclear, com uma matriz linear sinuosa, a Rua Direita, paralela ao canal que lhe serve acesso. A esta se somaram, em época posterior, outras ruas, conformando uma trema urbana irregular, mas densa de verde. Por sua volumetria e localização nos ponto mais alto da cidade, destacam-se dois monumentos religiosos: o Convento Santo Antônio ( 1654 – 1750 ) e a Matriz, cada um dos quais procedido de uma praça triangular. Seu centro histórico, classificado com grau de proteção um ( GP-1 ), compreende um área de 3,79 hectares, que se estende da praça da Matriz ( Pç. Benjamin Constant ) até o final da rua Direita, próxima ao porto. Estão aí localizados 93 imóveis, na maioria edificados ou modificados no século XIX.
Quanto ao estado de conservação, 12,12% dos imóveis foram considerados satisfatórios, 75,76% em condições medíocres e 12, em estado ruim. A totalidade das casas e sobrados cadastrados é de uso exclusivamente residencial e 78,79% são ocupados por seus proprietários. Cerca de 83,85% da sua população é originária de Cairu, 15,38% de outros municípios. Dos maiores de 10 anos de idade, 66,67% não tem atividades econômicas, 23,15% se ocupam de atividades terciárias, 2,7% de atividade secundária e 7,41% de atividade primária. Dados obtidos pela equipe PPH/SIC em inquérito realizado em 20% dos domicílios.
http://www.cmcairu.ba.gov.br/memorial/centro_historico.asp
Projeto Cairu 2030 |
http://www.cmcairu.ba.gov.br/cairu2030.asp
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CAIRU, na Costa do Dendê, é um município e arquipélago integrado por número variável de ilhas. Falamos vinte e seis ilhas, outros trinta e seis. Na verdade, trata-se de número variável, porquanto a baixa-mar exibe ilhotas (chamadas coroas) que não se vêem na preamar. É certo, no entanto, que a população de 14.438 habitantes (Censo de 2007) e a atividade econômica se acham nas três principais ilhas que são Boipeba, Cairu e Tinharé. As demais não são habitadas; são “viveiros” de caranguejos, siris, ostras; são santuários ecológicos. Um principado ambiental! Definição do IBGE: "geologicamente trata-se de um conjunto de ilhas costeiras, relacionadas à área do continente que lhes é adjacente, ambientalmente homogêneo e ecologicamente integrado, que constitui um caso excepcional entre os municípios brasileiros, uma vez que o Município de Cairu é formado por ilhas separadas somente por canais e rios, que estão subordinadas a uma única administração". Cabe aos cairuenses resguardar a preservação da unidade tanto política quanto ambiental do Município de Cairu. |
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Downloads: |
Lei Municipal nº 241, de 17 de dezembro de 2008 - Cairu 2030 (em PDF); |
Decreto Municipal nº 398, de 19 de dezembro de 2008 - Cairu 2030 (em PDF); |
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Assista a Reportagem Exibida no Rede Bahia Revista 26/04/2009 |
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Plano de Desenvolvimento Estratégico (Cairu 2030) |
Para saber maiores detalhes sobre o Cairu 2030, estamos disponibilizando o download completo do Plano de Desenvolvimento Estratégico do Projeto em arquivos no formado PDF (Adobe Reader) dividido em partes. |
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Downloads: |
Relatório P1 - Linhas de Base da Informação Socioeconômica e Ambiental |
Relatório P3 - Critérios para a Contabilidade Ambiental dos Recursos do Arquipélago |
Relatório P4 - Análise Integrada da Linha de Base (Diagnóstico) e Difusão |
Relatório P5 - Demandas Futuras sobre os Recurss Naturais do Arquipélago |
Relatório P6 - Estratégias Alternativas de Desenvolvimento Sustentável do Arquipélago |
Relatório P7 - Definição de Objectivos e Cobertura de Estratégias |
Relatório P8 - Organização dos Instrumentos para o Apoio Coerente do Banco |
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Fotografias de Cairu (Sede do Município): |
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Fotografias de Morro de São Paulo: |
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Fotografias de Gamboa do Morro: |
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Fotografias de Boipeba: |
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Fotografias de Galeão: |
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Fotografias de Garapuá: |
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Fotografias de São Sebastião (Cova da Onça): |
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Fotografias de Torrinhas: |
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Fotografias de Tapuias: |
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Fotografias de Canavieiras: |
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